Sunday, September 27, 2009

Apenas crianças

Choravam os dois, mãe e filho. A mãe por seus problemas e o filho, sem saber direito por quê. Sempre que chegavam ali a história se repetia, na penumbra do templo, enquanto entre lágrimas o menio perdia momentaneamente a sua mãe, a mulher encontrava seu Deus. Eram encontros com hora marcada, 3 vezes na semana, sempre no mesmo horário e no mesmo lugar. Até o assento, marcado por suas unhas, era o mesmo. Nunca disseram a ela que ñão precisava ir até aquele lugar para falar com Deus, Nunca lhe disseram que ele estava dentro dela, escondido, todo o tempo.

A mulher não se dava por satisfeita com as duas horas quase perdidas, era oferta, canção lenta, canção animada, oração pra queimar demônio, oração pra ganhar dinheiro, oração pra curar doença, palavras que se repetiam para motivar o irmão do lado, quase não sobrava tempo para experimentar Deus. Não negava ser uma acomodada, o enorme galpão travestido de Igreja a uma quadra de sua casa facilitava bastante as coisas, tinha cadeira acolchoada, tinha ar condicionado, tinha quem ficasse com seu filho por duas horas, e este último era algo tão om que mesmo se não tivesse nenhuma das outras regalias, ainda assim ela iria.

Para compensar os descontos, ela sempre chegava na Igreja 15 minuts antes. As lâmpadas apagadas davam ao grande galpão quase vazio um ar meio sombrio que era acentuado pela presença dos auixliares que perambulavam pra lá e pra cá, todos vestindo a mesma roupa. Muitas vezes lhe disseram que ela nunca encontraria Deus naquela igrreja, deram a ela endereços diferentes para encontrar o criador, mas ela insistia. No fundo, na sua acomodada insistência ela acabara involuntáriamente descobrindo Deus. Naqueles 15 minutos, nas lágrimas que chorava, a mulher se lembrava do ser que ainda a amava, mesmo que o seu marido não a amasse mais, mesmo que seus filhos nem lembrassem que ela existia, mesmo que sua vida fosse uma sucessão de fracassos, ela não o culpava.

Para os que passavam ali, a cada segunda feira, quarta ou domingo, a mulher era apenas uma louca, falando com o encosto de madeira do banco no qual se apoiava. Para outros, a mulher era apenas uma irresponsável, que ajoelhada e em prantos, esquecia do filho pequeno que carregava. O menino, também habituado ao ritual, chorava junto com a mão, quase pelo mesmo motivo mas em altura maior. Chorava tanto que sempre ganhava um colo, biscoito e um pouco de refresco. A moça da igreja era o Deus do menino, o da mãe não se incomoda com choro. No fundoeram duas crianças. Uma querendo comida, a outra querendo paz.

Thursday, July 30, 2009

Bem vinda!

É engraçado, eu resolver escrever no blog neste momento, tenho a conta desde 2006, e nunca editei nada nele. E agora que estou cheia de coisas na cabeça resolvo parar e escrever, mesmo que seja uma msgm simples como essa.
Como esse é meu primeiro momento no blog, fica como um teste, para quem sabe depois que eu aprender a mexer NISSO, frutiquife coisas melhores.